Thursday, March 23, 2006

Mutações





Estão já identificadas mais de 400 mutações no gene CFTR. As mutações CFTR podem agrupar-se em cinco classes funcionais diferentes:

Classe I: Impede a transcrição do CFTR num segmento completo de RNAm;

Classe II: Bloqueia a maturação da proteína traduzida. Curiosamente , o ΔF508 está neste grupo;

Classe III: Permite que o CFTR sofra maturação e se posicione na superfície da célula, mas impede que exerça aí a sua função;

Classe IV: A proteína torna-se capaz de ser activada ao nível da superfície da célula; porém, ocorre uma redução no transporte de cloro.

Classe V: A proteína permanece normal havendo uma diminuição da sua quantidade.

A mutação do gene CFTR mais frequentemente observada em doentes com fibrose quística uma delição de três pares de bases [ CTT ] no exão 10, que resulta na perda do resíduo de fenilalanina na posição 508 da proteína [ΔF508] no domínio NBD1.



Grande parte das mutações conhecidas afectam o primeiro ou, menos frequentemente, o segundo NBD.

Geralmente as mutações que afectam o normal processamento da proteína (p.ex: ΔF508), associam-se com uma expressão clínica mais grave da doença; as mutações que mantêm significativa actividade residual de canal de cloro têm expressão clínica menos grave (p. ex: R117H; R334W e R347P).

A automatização das técnicas de ampliação polimerásica (PCR) e de sequenciação genética facilitou a introdução do diagnóstico molecular da fibrose quística em laboratórios clínicos. Os protocolos de diagnóstico molecular automatizado devem incluir a pesquisa da mutação ΔF508 e de um conjunto de outras mais frequentes, tendo em consideração a epidemiologia genética da população a que se destinam. A negatividade da pesquisa de mutações CFTR por este método não exclui o diagnóstico da doença.

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