Imunoterapia
Os investigadores desenvolveram modificadores da resposta biológica a fim de aumentar a capacidade do sistema imunitário para encontrar e destruir o cancro. Estas substâncias são empregues para as seguintes funções:
Para estimular a resposta antitumoral do corpo, aumentando o número de células assassinas dos tumores ou produzindo um ou mais mensageiros químicos (mediadores).
Para actuar directamente como agentes destruidores dos tumores ou como mensageiros químicos.
Para travar os mecanismos normais do corpo que diminuem a resposta imunitária.
Para alterar as células tumorais, aumentando assim a sua probabilidade de desencadear uma resposta imune ou tornando-as mais susceptíveis de ser lesadas pelo sistema imunitário.
Para aumentar a tolerância do organismo à radioterapia ou às substâncias químicas utilizadas na quimioterapia.
Um dos modificadores das respostas biológicas melhor conhecidos e mais amplamente utilizados é o interferão. Quase todas as células humanas produzem o interferão de forma natural, mas também se pode fabricar com técnicas biológicas de recombinação molecular. Embora os seus mecanismos de acção não sejam totalmente claros, o interferão é importante no tratamento de vários cancros. Excelentes respostas (incluindo algumas remissões completas) foram obtidas em cerca de 30 % dos doentes com sarcoma de Kaposi, em 20 % dos jovens com leucemia mielóide crónica e em 15 % das pessoas com carcinoma das células renais. Além disso, o interferão prolonga o período livre da doença nos indivíduos com mieloma múltiplo e alguns tipos de linfoma que estão em remissão.
Na terapia com células assassinas (killer cells), extraem-se alguns dos próprios linfócitos (um tipo de células brancas do sangue) de um doente com cancro. No laboratório, os linfócitos são expostos a uma substância chamada interleucina-2 (um factor de crescimento do linfócito-T) para criar células assassinas activadas pela linfoquina, as quais são injectadas novamente na pessoa por via endovenosa. Estas células têm maior capacidade do que as células naturais do corpo para detectar e destruir as células cancerosas. Embora cerca de 25 % a 50 % das pessoas que têm melanoma maligno ou cancro do rim tenham respondido bem à terapia de células assassinas activadas pela linfoquina, esta forma de terapia está ainda em fase experimental.
A terapia humoral (anticorpos) leva o organismo a produzir anticorpos. Substâncias como os extractos de bactérias da tuberculose enfraquecidas (atenuadas), que se sabe aumentarem a resposta imunitária, foram experimentadas em alguns cancros. Ao injectar-se as bactérias da tuberculose directamente num melanoma, quase sempre se produz um retrocesso do cancro. Em algumas ocasiões, este efeito também se observa nos tumores que se espalharam para outras partes do corpo (metástases). Alguns médicos também usaram, com êxito, as bactérias da tuberculose para controlar o cancro da bexiga que ainda não invadiu a parede da mesma.
Existe outra proposta experimental que consiste em unir os anticorpos específicos contra o tumor com os medicamentos anticancerosos. Deste modo, os anticorpos, sintetizados no laboratório e injectados numa pessoa, guiam os medicamentos até às células cancerosas.
Por outro lado, outros anticorpos criados no laboratório podem aderir ao mesmo tempo às células cancerosas e aos linfócitos assassinos, o que leva à destruição da célula cancerosa. Até agora, essa investigação não se pode aplicar de forma ampla em nenhum esquema de tratamento dos cancros.
Investigações recentes abrem esperanças para o desenvolvimento de novos tratamentos. Alguns deles usam partes de oncogenes, que são importantes na regulação e no crescimento celular.

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