Saturday, March 25, 2006

Hospedeiros para clonagem molecular

A recombinação entre moléculas de DNA de diferentes organismos é um fenómeno comum na natureza. Vírus como o fago l têm a capacidade de inserir o seu genoma no cromossoma de E. coli. Neste processo, eles podem mudar o conteúdo genético da célula e por vezes uma bactéria torna-se patogénica, ao receber nova informação genética de um vírus. Por exemplo, quando a bactéria Corynebacterium diphtheriae é infectada por um vírus b , produz-se uma toxina que é responsável pelos sinais e sintomas da difteria. O genoma viral que codifica a toxina insere-se no cromossoma bacteriano sob a forma de um provírus. Esta alteração genética na bactéria, causada pelo vírus, conhecida como "conversão lisogénica", é um exemplo de engenharia genética na natureza.

Houve descobertas em biologia molecular, que permitiram aos cientistas reproduzir no laboratório este fenómeno natural e desenvolver métodos para introduzir quase todo o tipo de informação genética num organismo. A maior parte destes avanços envolve a manipulação genética de bactérias como E. coli e B. subtilis, e a levedura S. cerevisae para a produção de bens de consumo, especialmente aqueles que são muito caros ou virtualmente impossíveis de produzir pelos métodos tradicionais (quadro I).

Fez-se progressos consideráveis no sentido de introduzir genes em animais e plantas para curar doenças genéticas, aumentar a produtividade das plantas e do gado e tornar os cereais mais resistentes a doenças. Por exemplo, introduz-se muitos genes em plantas para as tornar resistentes a insectos e a plantas infestantes. Muitos cientistas estão a tentar introduzir em alguns cereais como o trigo, o arroz, a cevada e o milho, os genes bacterianos para a conversão do azoto atmosférico em amónia. Isto permitiria o crescimento dos cereais sem a necessidade de adição de fertilizantes de azoto, bastante dispendiosos e muitas vezes prejudiciais ao meio ambiente
O que é clonar?

Clonar é um processo em que se insere um fragmento de DNA num plasmídeo ou no cromossoma de um fago sendo-lhe permitido replicar-se para produzir numerosas cópias do DNA. A replicação tem normalmente lugar quando o plasmídeo ou cromossoma fágico se introduzem num hospedeiro apropriado (ex: uma bactéria ou uma célula de levedura) e o aparelho de síntese do DNA do hospedeiro replica o DNA inserido na célula hospedeira.

Normalmente, o DNA dador corresponde a uma pequena porção do genoma de uma célula e encontra-se representado por uma ou duas cópias por célula. Logo, antes de se poder extrair o DNA dador tem de se obter, a partir quer um pequena porção de tecido, quer de uma cultura de células, um número suficiente de células desejado. Depois de se ter obtido um número suficiente de células contendo o material genético pretendido, cada célula tem que ser rebentada e o material genético extraído.

Friday, March 24, 2006

Imunoterapia

Os investigadores desenvolveram modificadores da resposta biológica a fim de aumentar a capacidade do sistema imunitário para encontrar e destruir o cancro. Estas substâncias são empregues para as seguintes funções:

Para estimular a resposta antitumoral do corpo, aumentando o número de células assassinas dos tumores ou produzindo um ou mais mensageiros químicos (mediadores).
Para actuar directamente como agentes destruidores dos tumores ou como mensageiros químicos.
Para travar os mecanismos normais do corpo que diminuem a resposta imunitária.
Para alterar as células tumorais, aumentando assim a sua probabilidade de desencadear uma resposta imune ou tornando-as mais susceptíveis de ser lesadas pelo sistema imunitário.
Para aumentar a tolerância do organismo à radioterapia ou às substâncias químicas utilizadas na quimioterapia.
Um dos modificadores das respostas biológicas melhor conhecidos e mais amplamente utilizados é o interferão. Quase todas as células humanas produzem o interferão de forma natural, mas também se pode fabricar com técnicas biológicas de recombinação molecular. Embora os seus mecanismos de acção não sejam totalmente claros, o interferão é importante no tratamento de vários cancros. Excelentes respostas (incluindo algumas remissões completas) foram obtidas em cerca de 30 % dos doentes com sarcoma de Kaposi, em 20 % dos jovens com leucemia mielóide crónica e em 15 % das pessoas com carcinoma das células renais. Além disso, o interferão prolonga o período livre da doença nos indivíduos com mieloma múltiplo e alguns tipos de linfoma que estão em remissão.

Na terapia com células assassinas (killer cells), extraem-se alguns dos próprios linfócitos (um tipo de células brancas do sangue) de um doente com cancro. No laboratório, os linfócitos são expostos a uma substância chamada interleucina-2 (um factor de crescimento do linfócito-T) para criar células assassinas activadas pela linfoquina, as quais são injectadas novamente na pessoa por via endovenosa. Estas células têm maior capacidade do que as células naturais do corpo para detectar e destruir as células cancerosas. Embora cerca de 25 % a 50 % das pessoas que têm melanoma maligno ou cancro do rim tenham respondido bem à terapia de células assassinas activadas pela linfoquina, esta forma de terapia está ainda em fase experimental.

A terapia humoral (anticorpos) leva o organismo a produzir anticorpos. Substâncias como os extractos de bactérias da tuberculose enfraquecidas (atenuadas), que se sabe aumentarem a resposta imunitária, foram experimentadas em alguns cancros. Ao injectar-se as bactérias da tuberculose directamente num melanoma, quase sempre se produz um retrocesso do cancro. Em algumas ocasiões, este efeito também se observa nos tumores que se espalharam para outras partes do corpo (metástases). Alguns médicos também usaram, com êxito, as bactérias da tuberculose para controlar o cancro da bexiga que ainda não invadiu a parede da mesma.

Existe outra proposta experimental que consiste em unir os anticorpos específicos contra o tumor com os medicamentos anticancerosos. Deste modo, os anticorpos, sintetizados no laboratório e injectados numa pessoa, guiam os medicamentos até às células cancerosas.

Por outro lado, outros anticorpos criados no laboratório podem aderir ao mesmo tempo às células cancerosas e aos linfócitos assassinos, o que leva à destruição da célula cancerosa. Até agora, essa investigação não se pode aplicar de forma ampla em nenhum esquema de tratamento dos cancros.

Investigações recentes abrem esperanças para o desenvolvimento de novos tratamentos. Alguns deles usam partes de oncogenes, que são importantes na regulação e no crescimento celular.

Biotecnologia no diagnostico e terapeutica

A ciência e a tecnologia são duas actividades interligadas com o nosso quotidiano. A ciência está associada ao desejo humano de conhecimento, compreensão, explicação ou previsão de fenómenos naturais. A tecnologia decorre de outro desejo: o de encontrar formas eficazes de satisfazer as necessidades humanas, usando para isso conhecimentos, ferramentas, recursos naturais e energia.

O termo biotecnologia foi usado pela primeira vez em 1919, por um engenheiro agrícola da Hungria. Contudo, esta tem vindo a ser utilizada desde cerca de 1800 a.C. quando se fala da fermentação de leveduras para o fabrico de vinho, pão, queijo, etc.
















Subsequentemente, o homem tem ampliado as técnicas de manipulação dos seres vivos, promovendo um desenvolvimento significativo nas mais variadas áreas, como medicina, indústria química, agricultura, etc. O diagnóstico e a terapêutica baseados nos produtos da biotecnologia (anticorpos monoclonais, antigénios recombinantes) são fulcrais na identificação de agentes patogénicos de plantas e animais.

A biotecnologia pode ser definida como:

“Aplicação de células e moléculas para solucionar problemas, conduzir pesquisas e criar produtos e serviços. Inclui uma diversa colecção de tecnologias para manipular células, sub-células ou componentes moleculares em organismos vivos para produção ou descoberta de novos conhecimentos sobre as bases moleculares e genéticas da vida ou para modificar plantas, animais e microrganismos.”

A biotecnologia possui conhecimento nas áreas de microbiologia, bioquímica, genética, engenharia, química, informática. Tendo como agentes biológicos os microrganismos, células e moléculas (enzimas, anticorpos, ADN, etc.), resultando em bens, como alimentos, bebidas, produtos químicos, energia, produtos farmacêuticos, pesticidas, etc. Contribui com serviços, como a purificação da água, tratamentos de resíduos, controle de poluição, recuperação de petróleo, etc.

Os anticorpos são a chave para o diagnóstico e terapêutica de muitas patologias responsáveis por epidemias e por doenças como o cancro. A biotecnologia é um meio de obter e produzir esses anticorpos.

A ligação de antigénios aos receptores membranares dos linfócitos que os reconhecem, estimula a sua divisão, originando clones - selecção clonal.

Os anticorpos podem ser utilizados para reconhecer moléculas específicas com grande precisão e podem ser produzidos em laboratório através da injecção de antigénios em animais. Após a resposta imunitária efectuada pelos animais em contacto com o agente infeccioso, recolhem-se os anticorpos do seu plasma sanguíneo. Este processo tem como vantagem a obtenção de uma elevada quantidade de anticorpos. Contudo, nos animais e nos seres humanos, a resposta imunitária é, na maior parte das vezes, policlonal, isto é, desenvolvem-se diferentes populações de linfócitos B perante o mesmo agente patogénico. Este tipo de resposta torna-se menos eficiente porque não é canalizado o esforço para a produção do anticorpo mais apropriado, produzido por um único clone de linfócitos B - monoclonal. Na produção deste tipo de anticorpos, um animal é injectado com um antigénio e, passado algum tempo, é morto. Os linfócitos B são extraídos do baço do animal, incubados in vitro e é feita a fusão com células de mieloma, com o intuito de obter anticorpos monoclonais.

Trangénicos: o que são?

ORGANISMO GENETICAMENTE MANIPULADO (OGM): ser vivo em cujo genoma foi inserido ADN de outra espécie (o gene estranho designa-se transgene). A manipulação genética é uma área de investigação de ponta (tem estado muito na berra a questão da clonagem de humanos) e oferece, sem dúvida, possibilidades exaltantes para o bem-estar da Humanidade (terapia genética, fabricação de tecidos biológicos, etc.) mas também levanta muitas questões.

Eles estão entre nós

É na agricultura que tem havido mais investimento nesta área. Mas os alimentos transgénicos assustam. 88% dos franceses afirmam-se inquietos face aos riscos eventuais ligados a estes produtos. E no entanto, num estudo da 60 Millions des Consommateurs, 9 em 45 alimentos analisados continham transgénicos, sem qualquer menção nesse sentido. Isto apesar do draconiano regulamento europeu da rotulagem, que obriga à menção específica «feito a partir de organismos geneticamente manipulados».

Foi a firma americana Monsanto quem primeiro conseguiu a permissão da Comissão Europeia para a exportação de soja transgénica para a UE, há 2 anos. Depois da colheita do Outono os cargueiros cruzaram o Atlântico, sendo-lhes negada a entrada em todos os portos europeus (apesar do parecer favorável da Comissão) até que vieram bater à nossa porta. Nós abrimo-la, por decisão da nossa ministra do Ambiente.

Actualmente é negada aos europeus a possibilidade de optar comer transgénico ou não, porque para um produto ser obrigado a ter no rótulo «contém OGM» é necessária a presença de proteínas transgénicas. Ora, as proteínas são alteradas durante o processo de transformação, podendo não ser detectáveis no produto final. Para os responsáveis da UE, só uma proteína pode ter efeitos prejudiciais à saúde, «nunca ninguém demonstrou que um pedaço de ADN possa provocar uma alergia».

No entanto 180 000 ton. de soja transgénica já entraram na Europa, a quase totalidade da qual nunca apareceu devidamente identificada nas prateleiras dos estabelecimentos. A soja é usada em 2/3 dos alimentos transformados, o milho em 1/3 (estes são os dois principais produtos transgénicos). Na produção americana de soja de 96 os transgénicos representavam 5% do total. Este ano são 30%. E os americanos não fazem triagem, portanto o milho transgénico chega aos nossos portos misturado com o milho convencional. Separamos, não separamos? A manutenção de duas cadeias de transporte (com e sem OGM) do produtor ao consumidor seria muito cara. Face a isto, e como os nossos legisladores de Bruxelas prevêem que os OGM se tornem preponderantes no mercado, para um alimento possuir a etiqueta «não contém OGM» deverá ser essa empresa a fazer a triagem e comprovar a ausência de OGM, com elevados custos que recairão naturalmente no consumidor. Comer sem OGM, um luxo?

ÚLTIMAS NOTÍCIAS: O Supremo Tribunal Francês apelou ao Tribunal de Justiça Europeu para banir o milho Novartis (uma outra empresa). O milho Novartis foi modificado para alguns insectos ao produzir uma toxina de Bacillus Turingiensis e ser tolerante ao herbicida glufosinato. Também foi inserido na planta um gene de resistência ao antibiótico Ampicilina. Está provado cientificamente que o milho mata insectos benéficos e cria, nas pragas, resistência à toxina, usada como insecticida pelos agricultores «orgânicos».

Sim ou não?

Os riscos ligados aos produtos geneticamente manipulados são de três ordens: saúde, agricultura e ambiente.
Os riscos para a saúde são claros: se estamos a introduzir ADN bacteriano num tomate, como saber que este não vai produzir toxinas? Uma pessoa com alergia a morangos ao comer inocentemente uma cenoura pode estar a mastigar proteínas às quais é alérgica... Podem parecer pruridos exagerados, mas já aprendemos da maneira difícil que não se deve brincar com a ordem natural das coisas. Alimentámos vacas com vacas e criámos uma versão nova da Kreutzfeld-Jakob. A única maneira de evitar que tal se repita é ter cuidado e fazer as coisas às claras - no que respeita aos transgénicos nem uma coisa nem outra se tem verificado.

Para a agricultura os OGM não só não resolvem os problemas já existentes como os agravam. Pelas leis da Natureza a viabilidade de uma espécie depende da sua variabilidade genética. É esta que permite que o indivíduo responda a agressões inesperadas. Os OGM são, em contrapartida, estirpes de laboratório, de variabilidade muito restrita, com uma muito baixa plasticidade fenotípica. O tempo de vida de uma estirpe geneticamente manipulada é de 6/7 anos. Esse é o tempo que as pragas demoram a adaptar-se às defesas da estirpe. Depois é preciso criar uma estirpe nova. Os OGM também agravam a dependência da agricultura face à indústria química, como a variedade de soja Round Up, da Monsanto, criada para resistir ao herbicida do mesmo nome da mesma empresa.
E se é assustadora, só por si, a perca de biodiversidade a que conduziu a agricultura moderna, de monocultura e de abuso de químicos que desregulam os ciclos naturais - que os OGM só vêm agravar - existem outras consequências, essas imprevisíveis. É que os transgénicos agem, eles próprios, sobre o meio que os rodeia. Já foi comprovada a ocorrência de alterações na flora microbiana das raízes de transgénicos. E os OGM, uma vez soltos no mundo, porque é que não hão-de evoluir à sua maneira? É muito provável que surjam espécies novas, na ausência de barreiras à polinização. Espécies super-resistentes, infestantes que não possamos travar...

Não devemos ser fanáticos. Anda por aí muita polémica, muita moral e muita religião à volta da manipulação genética. Por esses caminhos não me meto. Acho que devemos é ser um pouco desconfiados e ter a ética sempre presente. A biotecnologia não é, por si só, uma coisa má, mas as suas aplicações podem ser. E caso o sejam merecem sempre a nossa atenção e o nosso repúdio.

Thursday, March 23, 2006

Clonagem de DNA em bactérias

A recombinação entre moléculas de DNA de diferentes organismos é um fenómeno comum na natureza. Vírus como o fago l têm a capacidade de inserir o seu genoma no cromossoma de E. coli. Neste processo, eles podem mudar o conteúdo genético da célula e por vezes uma bactéria torna-se patogénica, ao receber nova informação genética de um vírus. Por exemplo, quando a bactéria Corynebacterium diphtheriae é infectada por um vírus b , produz-se uma toxina que é responsável pelos sinais e sintomas da difteria. O genoma viral que codifica a toxina insere-se no cromossoma bacteriano sob a forma de um provírus. Esta alteração genética na bactéria, causada pelo vírus, conhecida como "conversão lisogénica", é um exemplo de engenharia genética na natureza.

Houve descobertas em biologia molecular, que permitiram aos cientistas reproduzir no laboratório este fenómeno natural e desenvolver métodos para introduzir quase todo o tipo de informação genética num organismo. A maior parte destes avanços envolve a manipulação genética de bactérias como E. coli e B. subtilis, e a levedura S. cerevisae para a produção de bens de consumo, especialmente aqueles que são muito caros ou virtualmente impossíveis de produzir pelos métodos tradicionais.

Fez-se progressos consideráveis no sentido de introduzir genes em animais e plantas para curar doenças genéticas, aumentar a produtividade das plantas e do gado e tornar os cereais mais resistentes a doenças. Por exemplo, introduz-se muitos genes em plantas para as tornar resistentes a insectos e a plantas infestantes. Muitos cientistas estão a tentar introduzir em alguns cereais como o trigo, o arroz, a cevada e o milho, os genes bacterianos para a conversão do azoto atmosférico em amónia. Isto permitiria o crescimento dos cereais sem a necessidade de adição de fertilizantes de azoto, bastante dispendiosos e muitas vezes prejudiciais ao meio ambiente.

Mutações





Estão já identificadas mais de 400 mutações no gene CFTR. As mutações CFTR podem agrupar-se em cinco classes funcionais diferentes:

Classe I: Impede a transcrição do CFTR num segmento completo de RNAm;

Classe II: Bloqueia a maturação da proteína traduzida. Curiosamente , o ΔF508 está neste grupo;

Classe III: Permite que o CFTR sofra maturação e se posicione na superfície da célula, mas impede que exerça aí a sua função;

Classe IV: A proteína torna-se capaz de ser activada ao nível da superfície da célula; porém, ocorre uma redução no transporte de cloro.

Classe V: A proteína permanece normal havendo uma diminuição da sua quantidade.

A mutação do gene CFTR mais frequentemente observada em doentes com fibrose quística uma delição de três pares de bases [ CTT ] no exão 10, que resulta na perda do resíduo de fenilalanina na posição 508 da proteína [ΔF508] no domínio NBD1.



Grande parte das mutações conhecidas afectam o primeiro ou, menos frequentemente, o segundo NBD.

Geralmente as mutações que afectam o normal processamento da proteína (p.ex: ΔF508), associam-se com uma expressão clínica mais grave da doença; as mutações que mantêm significativa actividade residual de canal de cloro têm expressão clínica menos grave (p. ex: R117H; R334W e R347P).

A automatização das técnicas de ampliação polimerásica (PCR) e de sequenciação genética facilitou a introdução do diagnóstico molecular da fibrose quística em laboratórios clínicos. Os protocolos de diagnóstico molecular automatizado devem incluir a pesquisa da mutação ΔF508 e de um conjunto de outras mais frequentes, tendo em consideração a epidemiologia genética da população a que se destinam. A negatividade da pesquisa de mutações CFTR por este método não exclui o diagnóstico da doença.

Defesa do organismo

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Sistema Imunológico - sida e hiv
O sistema imunológico tem como função reconhecer agentes agressores e defender o organismo da sua acção, sendo constituído por órgãos, células e moléculas que asseguram essa protecção.

Entre as células do sistema imunológico, encontramos os glóbulos brancos, ou leucócitos. Existem vários tipos de glóbulos brancos, com funções imunológicas específicas e diferenciadas, nomeadamente: os linfócitos, os neutrófilos polimorfonucleares, os eosinófilos, os basófilos e os monócitos.

Por sua vez, os linfócitos podem ser de dois tipos: linfócitos T e linfócitos B.

Os linfócitos B diferenciam-se em plasmócitos, em resposta a elementos estranhos (os antigénios) e estes sintetizam anticorpos para combater os elementos invasores. Este tipo de resposta imunológica designa-se por Imunidade Humoral.

Os linfócitos T são responsáveis pela resposta imunológica designada como Imunidade Celular. Podem ser linfócitos T4 (também conhecidos como células CD4) ou auxiliadores e são o elemento vigilante que alerta o sistema imunológico para a necessidade de lutar contra o visitante indesejado através da síntese de substâncias químicas (as citocinas); e linfócitos T8 (também conhecidos como células CD8) ou citotóxicos que são aqueles que destroem as células que estiverem infectadas.

O sistema imunológico conta ainda com os macrófagos, que resultam da diferenciação dos monócitos. Os macrófagos digerem as células mortas e os elementos invasores, agindo sobretudo nos órgãos afectados.

Os glóbulos brancos são produzidos na medula óssea, um dos órgãos primários do sistema imunológico, juntamente com o timo. Os órgãos secundários são o baço, as amígdalas e os adenóides e o sistema linfático, que inclui ou gânglios linfáticos.

A entrada do VIH no corpo e a sua multiplicação acelerada provocam uma diminuição dos linfócitos T auxiliadores (as células CD4), que são, precisamente, aqueles que dão ordens aos outros «soldados» para actuar contra os inimigos. Com o sistema imunológico enfraquecido, o seropositivo fica mais vulnerável aos microorganismos causadores de certas doenças, as chamadas doenças oportunistas, que, regra geral, não atormentam as pessoas com um sistema de defesa forte.

O diagnostico do virus da SIDA

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Diagnóstico - sida , hiv
O diagnóstico faz-se a partir de análises sanguíneas para detectar a presença de anticorpos ao VIH. Estes anticorpos são detectados, normalmente, apenas três a quatro semanas após a fase aguda, não podendo haver uma certeza absoluta sobre os resultados nos primeiros três meses após o contágio.

As primeiras análises a um infectado podem dar um resultado negativo se o contágio foi recente, por isso, os testes devem ser repetidos quatro a seis semanas e três meses após a primeira análise. O período em que a pessoa está infectada, mas não lhe são detectados anticorpos, chama-se «período de janela». Com os testes actualmente disponíveis é possivel detectar a infecção mais cedo e reduzir este «período de janela» para 3 a 4 semanas.

O teste usado é o ELISA («Enzime Linked Immuno-Sorbent Assay»). Pode usar-se também um outro teste, o «Western Blot», para confirmar o resultado.

Aos seropositivos realizam-se também testes de carga vírica para avaliar o nível de VIH no sangue. Estes, juntamente com os exames para efectuar a contagem de células CD4, são fundamentais para fazer um prognóstico sobre a evolução da doença. Se a carga vírica for elevada e a contagem das células CD4 baixa, e se o seropositivo não começar a fazer tratamento, a doença progredirá rapidamente. Os testes à carga vírica são, igualmente, importantes para avaliar a reacção do doente aos tratamentos.
Os dois exames são, geralmente, repetidos de três em três meses.

Uma pessoa saudável tem entre 500 e 1 500 células CD4 por mililitro de sangue. A seropositividade transforma-se em SIDA quando as células CD4 baixam para menos de 200 por mililitro de sangue, ficando assim o organismo mais desprotegido e tornando-se um alvo fácil das chamadas doenças oportunistas.

No caso dos recém-nascidos, filhos de mãe seropositiva, os testes aos anticorpos só têm completa validade ao fim de 18 meses, já que os anticorpos existentes no seu organismo podem ter sido herdados da mãe. Ao fim desse período, se a criança não apresentar anticorpos é porque o VIH não se encontra presente e o bebé torna-se seronegativo. Nestes casos, pode também fazer-se uma análise para detectar a presença de material genético do vírus.

Monday, February 13, 2006

Cientistas clonam cão pela primeira vez

Uma equipe de cientistas sul-coreanos clonaram pela primeira vez um cachorro, utilizando-se de uma célula obtida da orelha do pai genético.

Segundo a revista Nature, trata-se da mesma técnica utilizada à época para criar a famosa ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta. Os especialistas tiraram material genético da célula e colocaram-no num óvulo esvaziado de seu núcleo, posteriormente estimulado para que se dividisse e virasse um embrião dentro da mãe adoptiva, da raça Labrador. O animal, da raça Afghan, recebeu o nome de "Snoopy", numa referência às iniciais em inglês do centro onde trabalham os pesquisadores, e nasceu com a ajuda de uma cesariana após uma gestação de 60 dias. A equipe sul-coreana, comandada pelo professor Woo Suk Hwang, da Faculdade de Veterinária da Universidade de Seul, conseguiu apenas três gestações, após haver transferido mil embriões a 123 recipientes. Uma delas terminou em aborto, enquanto um dos dois animais nascidos morreu de pneumonia aos 22 dias de vida.
Hwang foi elogiado pelo professor Ian Wilmut, da Universidade de Edimburgo, que comandou a equipe que clonaram a ovelha Dolly. Para Wilmut, os resultados obtidos informam que é necessário optimizar o método de transferência nuclear para cada espécie particular. A equipe do professor Hsang, que foi também a primeira a clonar embriões humanos, no ano passado, sempre se vale de óvulos "frescos" obtidos diretamente, e não das sobras dos tratamentos de fecundação in vitro. Segundo um dos integrantes da equipe que realizou a clonagem, o americano Gerald Schatten, da Faculdade de Medicina de Pittsburgh (Pensilvânia), o objectivo não é clonar animais de companhia, mas contribuir para o progresso da ciência. "Não se trata de medicina reprodutiva nem de clonar nossos familiares, e sequer animais de companhia", explica.
O objetivo principal das clonagens é obter, a partir de embriões, células-tronco que possam transformar-se em diferentes tecidos do corpo humano